Coluna: Celina Penteado
O Vale a Pena Mudar a Rota?

Março



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Acabo de chegar da casa de uma grande amiga, comisária de bordo há pelo menos 23 anos, para quem o mundo é realmente do tamanho da tela de um computador! Abrimos um Haut-Médoc 1995, e falamos por horas a fio, como todas as amigas deveriam fazer no mínimo,uma vez por semana...

Entre tantas estórias, surgiu o texto de Paulo Coelho, publicado nesse domingo chuvoso e cinza, de verão quente do Rio de Janeiro. Quanta água e quanto calor. É simplesmente inimáginavel!!! Tem que ser vivido...experimentado...se não, não tem explicação.

O título é "Mudança". E nos fez pensar. Rir, confabular e tecer comentários loucos!!!

Vou tomar a liberdade de reproduzir esse texto, para que alguém sinta em todo esse universo, o mesmo que senti...e principalmente porque o autor é desconhecido e a esperança de encontrá-lo nesse mundão de Deus, que é a internet, é sempre mais animadora!

"Mude.

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, do outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, troque o caminho, ande calmamente por outras ruas, observando com atenção os lugares por onde você passa.

Tome outros ônibus. Mude por um tempo o estilo das roupas; dê os sapatos velhos, e procure andar descalço alguns dias-nem que seja em casa.

Tire uma tarde inteira para passear livremente, ouvir o canto dos passarinhos ou o ruído dos carros.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama. Em seguida, procure dormir em outras camas.

Assista a outros programas de Tv, leia outros livros, viva outros romances - nem que seja em sua imaginação.

Durma mais tarde. Durma mais cedo.

Aprenda uma palavra nova por dia.

Coma um pouco menos, coma um pouco mais, coma diferente; escolha novos temperos, novas cores, coisas que você nunca ousou experimentar.

Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo, jante mais tarde, ou vice-versa.

Tente o novo todo dia: o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, a nova posição.

Escolha outro mercado, outra marca de sabonete, outro creme dental.

Tome banho em novos horários.

Use canetas de novas cores.

Vá passear em outros lugares.

Ame cada vez mais, de modos diferentes. Mesmo achando que a outra pessoa pode ficar assustada, sugira o que sempre sonhou, na hora do sexo.

Troque de bolsa, de carteira, de malas, compre novos óculos, escreva outras poesias.

Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabelereiros, outros teatros, visite novos museus.

Mude. E pense sériamente em arrumar outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais parecido com o que você espera da vida, mais digno, mais humano.

Se você não encontrar razões pra ser livre, invente-as: seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretenciosa, longa, se possível sem destino.

Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda, e você está vivo."

Resolvemos mudar nós também. Os planos de uma viagem para o nordeste do Brasil, ficaram feios e sem graça. Porque o sol e céu azul de uma praia paradisíaca, se podíamos voar rumo ao frio cinzento, divino e maravilhoso de Paris?

A escolha estava feita, embalada pelo "corpo" de um vinho divino, que nos fazia sentir a promessa de aventura no ar. Talvez mais cara... mais que importância isso tem, diante do leque de oportunidades que uma Paris apresenta?
Fim das baladas por pelo menos 2 meses!!! Era um caso a se pensar...

Mas e a Cidade Luz? E os amores nas esquinas do Marais? E as vitrines do Fauchon na Madeleine? E a visão do Champs Elysées aos nossos pés?

Nova boutique da Prada??? Não. Melhor o artesanato regional, politicamente correto...

E o tal Geoges, restaurante no Plateau Beaubourg com aquela vista de tirar o fôlego? Talvez uma pacata lagosta, com os pés na areia escaldante e os cabelos ao vento tropical, fosse infinitamente mais em conta. Mas a palavra de ordem não era mudança?

Salve o efeito tinto das emoções contidas. À armas! Ou mais precisamente ao telefone! Ligamos para Elisa, que está sempre disposta a uma nova aventura, pois segundo ela, veio ao mundo a passeio. Sorte nossa que pegamos carona...
Tudo acertado. Impressionante como a vida é fácil depois de uma garrrafa de um bom vinho, números expostos, data marcada, e aqui vamos nós!

Mas é claro que isso fica para nosso próximo encontro, provavelmente no qual vou fazer a comunidade internauta que me lê, babar de inveja. O que pode existir de melhor do que Paris com suas melhores e mais loucas amigas? Sim, definitivamente vale a pena arriscar, vale a pena mudar a rota!

Vamos descobrir ?

Mês que vem. Prá todos e pra mim.


Celina Penteado é publicitária e jornalista. Trabalha atualmente para o celebrado Chefe brasileiro José Hugo Celidônio. Suas paixões na vida incluem gastronomia, vinhos e viagens... a arte de se viver bem. Depois the ter morado na Europa por muitos anos, retornou ao Brasil, Rio de Janeiro, lugar que considera o melhor do mundo para se viver.... Bem!


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