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Check Up
(Columnist:
Celina Penteado)
A
duração é de aproximadamente uma semana,
e de “up” não tem nada!
Ao sair do consultório
com uma dezena de exames a serem feitos, cheguei a pensar
numa desistência pacífica, mas achei mais sensato
seguir em frente...
Dias e horas marcados, meus dias de paz e privacidade estavam
definitivamente acabados.
Minha cruzada pela
saúde começou numa segunda-feira através
de um simples hemograma que de simples não tinha
nada, tal a quantidade de letras e siglas que determinam
a barreira entre estar ótimo e começar a se
preocupar. Doze horas de jejum não estavam exatamente
ajudando meu bom humor matinal.
Posso tirar uma foto?
Dizer o quê?
Não? Estou com medo da agulha, em jejum, tomara que
isso acabe logo, preferia estar na praia com os amigos?
- Claro! Preciso sorrir?
Não tenho idéia
de quem inventou o termo “exames de rotina”,
pois minha noção de rotina é bem mais
divertida.
E lá ia eu,
raio X pra lá, ultrasonografia pra cá, espeta
daqui, apalpa pra lá...
E a exposição tornou-se um problema. Meu nome
era pronunciado em sílabas agudas, junto com a inexorável
pergunta:
-Por favor, peso e
altura?
Que todos na sala de
espera tomassem conhecimento do meu nome vá lá,
faz parte, mas da altura e do peso? Nem pensar!
Passei a ser adepta
do sussurro... E descobri que enfermeiras são surdas!
Guerra declarada eliminei 5 kilos e acrescentei 3 centímetros.
Eles que desvendassem mais esse mistério!
Adoraria saber o porquê
da televisão sintonizada em canal infantil...
Pelos meus cálculos
eu era de longe a mais nova. E descobri rapidamente a razão.
- Por favor, tire a
“blusinha” e a “bermudinha” e coloque
o “aventalzinho”. Durante o exame, eu tinha
que virar de “ladinho” e esperar pelo “friozinho”
do gel!
Opa!!!!! Que estória é essa? Não estou
doente e nem sou débil mental! Pensei comigo mesma
obedecendo imediatamente. Só queria sair dali o mais
rápido possível!
Quando o médico perguntou:
- E o coração?
Como anda?
Confesso que senti
pena do incauto doutor. Desfiei um rosário de lamentações
com um sorriso no rosto diante de mais uma vítima
das minhas estórias de amor perdido!
Para o teste ergométrico me colocaram numa sala de
frente para o cemitério...
Já sabia que
precisava parar de fumar, mas com a língua de fora
naquela esteira e “apreciando” àquela
paisagem resolvi jogar fora o maço de cigarros ali
mesmo.
Mamografia, para quem já fez, é assustador.
Mamografia, para quem
ainda não fez, deve ser aterrorizante.
Mamografia é
definitivamente muito desagradável!
A sensação
é de um trator confortavelmente acomodado em cima
do que deveria ser única e exclusivamente um órgão
de prazer e não de tortura...
Vendo a enfermeira
se aproximar para me pedir a repetição do
exame (sem explicar que o filme estava com algum tipo de
defeito) tive vontade de começar a escrever meu testamento.
Descobri consternada
que nos questionários de saúde eu só
marcava os quadrinhos do sim.
Bebe? Sim.
Fuma? Sim.
Exercita-se pouco?
Sim.
Dorme mal? Sim.
Come muito fora? Sim.
Quer mudar de vida?
Sim!
Seu humor vai ficar
um lixo? Sim, sim e sim!
Finda a “semana
de provas”, a praia de Ipanema em fim de verão
me pareceu o melhor lugar do mundo e deitando na areia agradeci
a Deus pela saúde e por viver aqui.
Uma mocinha simpática
(e paulista) do cartão de crédito me ligou
para oferecer um seguro extra de saúde e auxilio
funeral.
- Querida, acabei de
fazer um check-up e estou ótima, me liga em 20 anos!
| Celina
Penteado is a Brazilian publicist and journalist. Her
passions in life include gastronomy, wines, and traveling...
the art of living well. After living in Europe for many
years, she returned to Rio de Janeiro, the place she
considers the best in the world to live...Well!! |
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