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Pronto... Cheguei aos 50!
(Columnist: Celina Penteado)

Nunca pensei que seria assim.

Assim tão fácil. Assim tão rápido. Assim tão inesperado!

Quando o bolo chegou, mais parecia um incêndio de tantas velas. Metade dos amigos sorria me dando as boas vindas, a outra metade exibia um sorriso amarelado imaginando o dia em que também chegariam lá.

Tentei meu sorriso "não estou nem aí" e simplesmente não consegui. Forcei um outro de conformismo e achei pior. Então, busquei no fundo da alma aquele sorriso típico de "aniversariante feliz" e cantarolei junto, fingindo que nada estava acontecendo.

Mas estava. Eu estava entrando na meia idade! Meia? Nunca imaginei viver cem anos...

O primeiro sinal veio numa consulta médica.

- Fogaccio? Perguntou-me Dr. Francisco.

- O quê? Perguntei, achando que meu médico estava fazendo pães caseiros.

Passado o susto, saí do consultório amassando nas mãos uma extensa receita, com o que seria minha realidade dali pra frente. Vitaminas inimagináveis, exames de todo tipo e uma vontade enorme de me jogar na cama. Depressão total.

Passados alguns dias, resolvi reagir. Meu desejo de chutar o mundo havia passado, mesmo porque eu poderia ter uma distensão muscular séria. Conversar com as amigas, me pareceu a coisa mais sensata a ser feita. Uma semana depois de falar com elas, a depressão voltou com força total!

- Você já começou a perder cabelo, ou eles estão como palha?

-Os calores noturnos... São horríveis.

Será que os diurnos seriam melhores? Pensei angustiada.

Bom, a sentença estava proferida e não tinha como voltar atrás. Ainda mais nessa idade, que não se volta pra mais nada. Pra frente é que se anda. Matriculei-me numa academia.

Primeiro dia, toda paramentada passei pela recepção e vi um banner, anunciando: Malhando nas nuvens!

Será que era um plano pra depois da morte?

Não, era somente um "aulão" no Pão de Açúcar. Aliviada fui enfrentar a sala de musculação, que ouvi ser excelente para prevenir osteoporose.

Consulta com o oftalmologista foi o passo seguinte.

- Vista cansada?

Exausta, pensei, mas achei prudente me abster do comentário. Mais uma receita. Uma bobagem, nessa altura dos acontecimentos.

Cabelos brancos? Nada que uma visita ao meu cabeleireiro favorito, não solucionasse.

Minhas finanças estavam ficando tão abaladas quanto meus nervos. Quem mandou acreditar nos parabéns pra você muitos anos de vida! Lá estava eu diante dos cinqüenta. Era relaxar e gozar. Será que isso também iria mudar?

Dei então o golpe de misericórdia em minha conta bancária. Saí às compras. Realista com a situação, optei por modelos mais clássicos. Infelizmente a silhueta estava também em plena mutação e nem as cores escuras poderiam disfarçar aquela nova realidade.

Entrei com pose decidida na primeira farmácia que encontrei e investi meus últimos reais numa caixa de lexotan.

-De três ou de seis? Perguntou-me o balconista?

Quis perguntar se existia de vinte, mas o bom senso me fez calar, pagar e sair o mais rápido possível.

Estava confiante de que uma pequena conversa com meu amigo gay, resolveria meus recentes problemas.

Liguei e fui recebida com uma gargalhada de tirar o fôlego.

- Vocês mulheres podem viver sem homem, sem comida, sem lexotan, mas sem drama é impossível, né?

Recompus-me e combinamos um passeio por Ipanema. O que de melhor eu poderia fazer? Tinha que fazer as pazes com meus hormônios, então resolvi afoga-los em algumas caipirinhas.

Durante horas, sob o delicioso efeito daquela bebida mágica, fui descobrindo a maravilhosa aventura de ter chegado aos cinqüenta. A sabedoria e maturidade que chegam para nos fazer ver a vida de outro jeito. Menos ansiosas, mais confiantes, mais sábias e muito, mas muito mais bem humoradas!

Que venham as rugas, (na verdade marcas de tantas estórias vividas), que venham os cabelos brancos!

Estaremos todas esperando felizes, sentadas num consultório, à espera de nossas aplicações de Botox!


Celina Penteado is a Brazilian publicist and journalist. Her passions in life include gastronomy, wines, and traveling... the art of living well. After living in Europe for many years, she returned to Rio de Janeiro, the place she considers the best in the world to live...Well!!

Readers are invited to send opinion about this article to editor@brazilianist.com

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